A mudança do local ocorre após a organização ser comunicada pelo pároco da Igreja de La Madeleine, Monsenhor Patrick Chauvet, de que neste ano não será permitida a tradicional lavagem das escadarias da igreja. A organização lamenta a decisão e permanece aberta ao diálogo para compreender suas razões.

O impedimento, no entanto, não interromperá a tradição. A Lavagem seguirá preservando a dimensão cultural, religiosa e ancestral de seu rito e reafirmando a resistência da cultura afro-brasileira, que atravessa gerações preservando seus saberes, sua fé, sua memória e sua ancestralidade.

O impedimento, no entanto, não interromperá a tradição. A Lavagem seguirá preservando a dimensão cultural, religiosa e ancestral de seu rito e reafirmando a resistência da cultura afro-brasileira, que atravessa gerações preservando seus saberes, sua fé, sua memória e sua ancestralidade.

Criada em Paris em 2002 pelo multiartista baiano Roberto Chaves, o Robertinho, e inspirada na Lavagem do Bonfim, em Salvador, a Lavagem de Madeleine chega à 25ª edição como o maior evento da cultura afro-brasileira na Europa. Desde 2022, está inscrita no Inventário Nacional do Patrimônio Cultural Imaterial da França e integra o calendário cultural de Paris.

Ao longo de sua trajetória, a Lavagem se consolidou como uma celebração ecumênica, de paz e união entre os povos, promovendo o encontro entre referências do catolicismo e das religiões de matriz africana e reunindo brasileiros, franceses, imigrantes e pessoas de diferentes nacionalidades, culturas e crenças.

Diante da crescente preocupação com a intolerância religiosa, a Lavagem de Madeleine reafirma seu compromisso com a liberdade de crença, o respeito à diversidade religiosa e o direito de todos os povos manifestarem sua fé, sua cultura e sua ancestralidade. Nossa bandeira continuará sendo a cultura da paz, o diálogo e a união entre os povos.

No dia 13 de setembro, a programação começa às 10h, na Place de la République. Mariene de Castro e Robertinho Chaves estarão à frente do trio elétrico, com participações de Jau, Gildaa e Lorena Pires, em um cortejo com samba, percussão, maracatu, capoeira e baianas. A cantora lírica brasileira Lorena Pires deverá interpretar “Ave Maria”, reforçando o caráter ecumênico da celebração e o encontro entre diferentes expressões de fé e cultura.

“A cultura afro-brasileira já atravessou séculos de resistência e continuará resistindo. Não vamos permitir que uma decisão como essa apague nossa fé, nossa ancestralidade ou nossa cultura. Todos os nossos ritos, manifestações culturais e a programação da 25ª Lavagem de Madeleine serão mantidos. Vamos ocupar Paris com samba, capoeira, maracatu, nossas baianas, nossa fé e, acima de tudo, com paz. Nossa resposta será a cultura, porque foi assim que chegamos até aqui e é assim que vamos continuar”, afirma Robertinho.

A organização conclama artistas, instituições culturais, lideranças religiosas, movimentos sociais, brasileiros, franceses, imigrantes e todas as pessoas comprometidas com a liberdade religiosa, a diversidade e os direitos culturais a apoiarem a 25ª Lavagem de Madeleine e se somarem a esta manifestação de resistência cultural.

A Lavagem de Madeleine vai acontecer. Seu ritual será preservado, sua programação está mantida e Paris voltará a receber uma celebração que há mais de duas décadas transforma a cultura afro-brasileira em uma mensagem de ancestralidade, resistência, paz e união entre os povos.

@credit photo : NicFilme